Hoje, uma data para ser lembrada. Trinta anos atrás, oficializava finalmente um divórcio começado quatro anos antes Meu ex-marido ia se casar novamente e concordou em assinar os papéis que reteve por quatro anos. Foi um dia engraçado. Ele veio me buscar em casa para irmos ao Forum e as crianças saíram mais cedo da escola para poder ir junto. Família que se divorcia unida, permanece unida.
Correu tudo bem, não houve nenhum contratempo. Decisão de pessoas maduras, razoáveis, que chegaram à conclusão que o casamento foi um acidente de percurso, não um erro. Não há erros, há coisas mal conduzidas. Bom sujeito, o meu ex-marido. Inteligente, divertido, culto, despertou em mim a paixão por filmes. Romântico, dizia-me coisas muito bonitas e me chamava de "princesa". Dançava muito bem, apreciava música de bom gosto e usava um perfume delicioso, o que bastou para eu me apaixonar poe ele e me casar.
Ele só não conseguia parar a minha constante movimentação e insistia em tentar. Naquela época eu tinha força para resistir às prisões, tinha um futuro pela frente, e lutei por uma liberdade mais de pensamento do que física. Pedi a separação e fui tratar da minha vida, tarefa na qual não me dei nada bem. Eu ainda não acreditava em destino e não admitia que o meu era aprender a servir. Acabei aprendendo, a duras penas e sob constante protesto. O paradoxo é que eu "sirvo" naturalmente", é um traço da minha natureza, mas que não tentem me obrigar, apenas me peçam. Gosto de fazer coisas para os outros ficarem felizes e estou sempre observando para saber qual coisa vai deixar tal pessoa feliz.
Acho que o meu ex-marido era uma boa pessoa, no final das contas, porque ele está casado há vinte e cinco anos e ninguém consegue participar dessa maratona se não tiver qualidades. Não soube ser bom pai, acho que nasceu para ser só marido. Os nossos filhos acabaram sendo apenas meus filhos.
Não há saudade, não há lembrança boa ou ruim que ocupe o meu pensamento mais que alguns segundos, há apenas uma sensação de que alguém passou em minha vida, participou do nascimento de duas novas criaturas, e depois voltou para o mundo de onde surgiu.
Se estou falando nisso hoje é porque me intriga o comportamento dos seres humanos com relação às datas comemorativas. Se um aniversário de casamento é chamado "boda", festejado pelos participantes, pela família e pelos amigos, por quê um aniversário de divórcio não recebe a mesma consideração?
Há casamentos maléficos e divórcios benéficos. Não importa o quanto um casal destruiu sua própria identidade tentando manter um casamento inútil, a contagem desses anos é sempre comemorativa. O divórcio, como muitos outros acontecimentos que contrariam as imbecis noções morais que alimentam o "aspecto social" da vida, é considerado uma falha, um fracasso na vida do ser humano.
Enfim, o que eu lamento mesmo, é não ter recebido flores, nesta data, em nenhum desses trinta anos. Não é justo...
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