Saldo Negativo

Vou marcando o sinal de menos no talão
E noto um pequeno tremor em minha mão
Não sei como ainda aguenta o coração
E os golpes sucessivos não derrubam a construção
Impelem-me, ao invés, à luta, à ação
E à tentativa de reformular a organização
Trocar a vida na mão pela da contra-mão
E obrigar o saldo, a poder de amarração
Virar positivo, superavit de uma estruturação
Produto interno bruto, resultado de uma relação
De eu querer apenas, mandar sem fazer menção
Sem nem me incomodar com a limitação
Da humana relatividade que me impõe a Criação
Das mãos atadas e a mente em poder da condição
Do baixo teor de nicotina, do veneno e do alcatrão
Pegar o avesso de empregado e o direito de patrão
Fazer do raciocínio o veículo, a condução
E trambique após trambique alterar a situação
Mudar da zona leste, mudar de posição
Pra conseguir, eu sei, preciso de ambição
Perder a integridade, o caráter e a solidão
Com a vida mansa e boa fazer a comunhão
Trocando o "eu sei o que sou"
               pelo "eu sou o que os trouxas me dão!"

(Juracy Lérco em 08-01-1985)

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