Caráter

Os princípios com os quais nascemos e os que nos são ensinados, somados aos valores que adquirimos no decorrer da vida, são as peças do quebra-cabeças que vamos juntar para construir o nosso caráter.
O caráter vai definir a posição que tomamos com relação à vida e aos nossos semelhantes. Os princípios já fazem parte de nós, os valores poderemos escolher. 

Essa escolha é a chave para uma vida bem ou mal sucedida. E esse sucesso ou fracasso é uma avaliação pessoal, particular de cada um. Não se identifica com o sucesso ou o fracasso como eles são entendidos socialmente. É um bem viver consigo mesmo, uma certeza incontestável de fazer a coisa certa.

Os princípios são postulados. O cuidado a tomar com os valores é que eles não podem ter nuances, tons ou graus.  Eles são únicos, indivisíveis e intransferíveis. Não existe pessoa honesta em algumas coisas e desonesta em outras. Não existe pessoa digna em algumas coisas e indigna em outras. Não existe pessoa íntegra em algumas coisas e parcial em outras. As circunstâncias não podem alterar esses valores. Não há "jogo de cintura", quando tratamos dos três valores principais. Honestidade, dignidade e integridade são valores absolutos, não podem ser relativos.

Esses valores, junto com uma série de outros, vão compôr o que chamamos de caráter, e a pessoa que o possui nunca deixará de manifestá-lo em nenhuma de suas atitudes. Não é possível deixar o caráter em casa mesmo quando se vai lidar com uma coisa bastante trivial, como comprar pães em uma padaria.

Não existe "mau caráter". Caráter não pede adjetivos, ele é a qualidade por si só.

Se olharmos o leque de outros bons valores (aqui cabe o adjetivo) que se abre, derivados de cada um dos três valores principais, honestidade, dignidade e integridade, teremos a receita certa para um verdadeiro Ser, não só para uma personalidade. 

O conjunto compõe o espírito, única parte que tem direito à imortalidade.

(Juracy Lérco em 28-02-2015)


Sou contra

Não acredito no casamento.
Muito menos em ser feliz para sempre.
Nada contra o amor, ele é maravilhoso e essencial.
A convivência é uma tinta de cor cinza que vai colorir qualquer relacionamento, cada vez com degradés mais escuros.
O casamento acaba com a surpresa, com o mistério, com a beleza, com o esforço para ser especial, com a saudade, com a necessidade, com o aproveitamento total dos momentos íntimos.

As pessoas, quando se casam, acreditam poder fazer certas coisas, mas depois surpreendem-se por não estar dando certo:-
- viver dia e noite com uma pessoa;
- encontrá-la a cada passo;
- tropeçar nela o tempo todo;
- não conseguir silenciá-la;
- trocar o "eu" pelo "nós";
- abrir mão da individualidade em benefício do conjunto;
- não poder se retirar para dentro de si mesmo;
- não poder sair, sem destino, só para caminhar e pensar;
- tolerar a diferença de afinidades;
- contrariar o relógio biológico.

Aos poucos começam a ver que o esquema é difícil, torturante e destruidor.
A percepção da individualidade perdida, as cessões e concessões, os sacrifícios feitos e a frustração de não ter as expectativas correspondidas começam a destruir o potencial do indivíduo como ser. Ele deixou de ser "eu" para ser "nós" e já não sabe mais quem é, porque é preciso fazer tudo em conjunto, o que não vai satisfazer nenhuma das metades. É isso. A pessoa vira metade, ela já não é um ser inteiro. 

Amar não tem nada a ver com casar. Casamento é contrato, é convenção social, é acordo monetário, é apólice de seguro e garantia, é certificado de posse, é uma sociedade onde vai haver sempre um sócio majoritário. 

Amar é manter o elemento conquista, a necessidade de a cada dia ser melhor para continuar sendo amado, é ter tempo de pensar no amor, é ter a cada dia uma coisa a mais para conhecer na pessoa amada, é ter saudade, é ter vontade de estar junto, é procurar ouvir a voz do outro, é nunca se saciar com o que vem do amor; é compartilhar momentos verdadeiros de entrega total, é ter tempo para imaginar coisas para agradar, é cuidar o tempo todo, sem preguiça, é fazer tudo com a boa vontade do coração. Essas coisas não podem ser colocadas num papel que as garanta, por uma assinatura.

Amar é um trabalho que não pesa e é feito todos os dias. A sua única remuneração é o próprio amor. Os momentos das trocas e dos carinhos nunca se perderão no esquecimento. Esses, sim, serão para sempre.

(Juracy Lérco, Março de 2014)




Frases na madrugada...

" A influência positiva é querer que o outro pense por si mesmo. A influência negativa é querer que o outro pense como nós. "

" O amor é como viagem de navio. Quem enjoa fácil, melhor ficar em terra. "

" Não se importa que o que você escreve acabe sendo de domínio público? - Não, a fonte de onde brota as coisas que eu escrevo é inesgotável. E é para todos. "

" O verdadeiro amor tem sua realização em si próprio. Mesmo que não seja retribuído, continua amando porque sabe que nasceu para isso. "

" Não conte para a rede social o que você deveria dizer só para mim. "

" O cinema nos abriu as portas do sonho. O cinema em 3D nos colocou para dentro. "

" A prostituta é desprezada porque coloca preço no sexo. O quanto ela é diferente de muitas esposas? "

" COISA é tudo o que não achou um nome. "

" O amor tem movimento circular. Ele une dois seres como um anel. Não se sabe onde termina um e onde começa o outro. "

" O homossexual é marginalizado pela sociedade defensora da moral e dos bons costumes. A mesma sociedade que diz que o homem deve amar seu semelhante. "

" Os verdadeiros sonhos acontecem quando estamos totalmente despertos. "

" Aqueles que eram acusados de comer mortadela e arrotar peru não precisam mais se preocupar. Os preços estão iguais, não há mais diferença nos arrotos. "

" SOFISMA, no dicionário, significa um argumento falso, apresentado de propósito, para induzir alguém a erro. Significa engano, logro, tapeação.  Eu te amo, é um sofisma? "

(Todas por Juracy Lérco - Janeiro/Fevereiro/2015)





O começo do fim

É melhor eu começar a escrever a você, despedindo-me.
A ilusão fez esse amor sobreviver até agora, mas a ilusão também precisa de alimento para sobreviver.
O seu silêncio deixou minha ilusão anêmica, e ela está morrendo à míngua.
Você me fez um grande bem. Você me fez reconhecer o amor que dormia dentro de mim. Você acordou esse amor, cuidou-o, acarinhou-o e alimentou-o.
Ele cresceu saudável, vigoroso e forte o bastante para lutar por sua realização. Você o alimentou diariamente, com seu carinho, suas palavras doces e sua ternura. Você me fez sentir tudo isso, usando apenas palavras.
Eu me entreguei de corpo e alma a esse amor.
De repente, você se ausentou.
Mesmo o meu amor implorando para ser saciado, você o abandonou para morrer de fome.
Ele ainda tentou sobreviver, alimentando-se das reservas de recordações. 
Mas o estoque de recordações, não tendo reposição, também se esgotou. Os suprimentos acabaram e não restou mais nada.
Agora, esse amor está esquelético, só aguardando a morte que demora a chegar.
Esse amor chegou a um tal estado de fraqueza que não tem mais força para tentar se erguer novamente. O fim está chegando e o sentimento inanimado está tomando consciência desse fim e aceitando-o.
Aceitando-o com aquela calma singular que se consegue quando não se espera mais nada.
O fim é uma agonia lenta, mas suportável, porque a dor também precisa ser alimentada para sobreviver, e eu estou negando a ela qualquer tipo de nutrição.
Se o amor morre de inanição, a dor deve morrer pela mesma causa, já não dói.
Há apenas aquela sensação que se apresenta quando um membro é amputado. De vez em quando, parece que ainda está presente aquele pedaço de nós que foi arrancado. Mas logo volta a consciência de que mais nada está ali.
Eu vou me despedindo de você, como se estivesse sendo arrastada pelo vento, para um lugar muito, muito longe, onde nunca mais poderei senti-lo, onde nem seu vulto poderá me acompanhar.

(Juracy Lérco em 20-02-2015)


Respostas

Não estou mais desesperada à procura de respostas.
Durante muito tempo só ouvi o silêncio.
O silêncio me ensinou uma grande lição.
Não tenho mais perguntas.

(Juracy Lérco em 20-02-2015)

Imagem

A água do lago é mágica.
Quando ela reflete minha aparência, mostra-me como fui um dia, com juventude e graciosidade.
Delicadamente, ela oculta a imagem envelhecida e cansada de agora.

Quando ela reflete meu interior, mostra-me uma mulher compreensiva, que vive em pleno acordo com o que lhe é possível viver.
Delicadamente, ela oculta  a jovem rebelde e insatisfeita, que teria dado a vida pela realização dos seus sonhos.

Não sei qual dos reflexos me perturba mais.

Não me importo por ter envelhecido e agradeço por ter conseguido compreender a vida.
Só lamento ter perdido, em algum lugar, em alguma época, aquele espírito de luta por meus sonhos. Hoje, já não sei sonhar...

(Juracy Lérco em 19-02-2015)



Luar

A lua parece tão perto
Que a mão tenta alcançá-la
Talvez um balão chegue até ela
Talvez uma escada comprida...

Mas ela caminha depressa
Não fica nem um dia inteiro
Precisa alcançar outras terras
Onde outros esperam por ela...

Leva o brilho que enternece o olhar
Leva os sonhos que alimentam a alma
Leva a luz, que mesmo não sendo dela
Ilumina os que podem senti-la...

(Juracy Lérco em 18-02-2015)

A linguagem do olhar

- Fecho os meus olhos e fico sonhando com os seus olhos...
- neles, eu vejo a angústia por estarmos nos despedindo...
- neles, eu vejo a lágrima, pronta para cair, contida a custo...
- neles, eu vejo a dor, antecipada, pela ausência do amor...

- Abro os meus olhos, e você está novamente ao meu lado...
- Olho seus olhos...
- neles, eu vejo a felicidade por estarmos juntos mais uma vez...
- neles, eu vejo a esperança de que a nova chance nos una e nos faça fortes...
- neles, eu vejo o infinito para onde você quer me levar...

Você me olha e estende sua mão...
Eu ponho a minha mão na sua, para você me conduzir...

Nós nos olhamos, e os nossos olhos dizem, ao mesmo tempo:- "juntos, desta vez para sempre!"

(Juracy Lérco em 18-02-2015)

Dispersão

Fico pensando nos amigos de infância, afetos que pareciam inseparáveis, mas que a vida se encarregou de dar a eles rumos distintos, para nunca mais se cruzarem...

Fico pensando nas famílias, cuja união parecia indissolúvel, e que, de repente, se separaram, tomando novos caminhos, compondo outras famílias...

Fico pensando na casa construída com muita luta e à qual se prometeu conservação constante, e que, de um momento para outro é abandonada por um novo interesse e que vem a desmoronar junto com o sonho que a projetou...

Fico pensando no corpo saudável que abriga uma mente realizadora e que caminha para uma vida plena; que, de repente, é surpreendido por uma doença incurável e se vê obrigado a renunciar não só à plenitude, mas também à vida...

Fico pensando no amor jurado, na crença absoluta de que nada poderia abalar seus alicerces tão bem fundamentados, e que, de repente, tomado de assalto por coisas muito inferiores a ele, deixa-se subjugar e renuncia à sua própria perfeição...

Se tudo é transitório e devemos aceitar esse fato, porque temos em nós a idéia de duração, a idéia da eternidade?

Plagiando Vinicius de Morais:- se é para desfazer, por quê fazer?

(Juracy Lérco em 17-02-2015)



Na cozinha...

Senta-te aqui, a cozinha é quentinha
No fogão tem café, toma uma xícara
Descansa teus pés, o caminho foi árduo
Subistes e descestes, foram longas distâncias
Massageio teus pés, mereces o afago
Fala-me baixinho o que te disse o caminho
E eu te ouvirei em silêncio
Olhando teus olhos, acalmando a saudade
Te ofereço um café, te ofereço um repouso
Depois, podes partir, continua tua busca
E eu, como sempre, ficarei na cozinha
Esperando que voltes, quando cansares de novo...

(Juracy Lérco em 15-02-2015)


O poder da palavra

Se eu não houvesse experimentado esse poder, juro que duvidaria dele. Às vezes, ainda duvido. Acho que o mais certo seria dizer que as palavras têm poder sobre quem é vulnerável a elas. 

Eu me apaixonei por palavras e elas ecoam na minha cabeça o tempo todo. Não há um momento de descanso, as frases se repetem, compondo a história que eu vivi, e da qual, agora, só restaram as palavras.  É tudo real, é tudo presente. O poder, que essas palavras exerceram e exercem sobre mim, ditou um novo rumo e um novo rítmo à minha vida. Tudo o que eu faço, tudo o que eu penso em fazer está ligado a essas palavras. 

E elas nem foram ouvidas, elas foram lidas.  Eu lembro de cada detalhe, de cada hesitação, de cada reticência, de cada ansiedade, de cada evasiva, de cada dúvida, de cada certeza, de cada desabafo. Todas essas emoções contidas em frases escritas em momentos de envolvimento total. 

O poder da palavra agiu sobre mim, sobre o que eu era, sobre o que eu sou. 
Se eu disse que ainda duvido desse poder é porque a recíproca não foi verdadeira. 
As minhas palavras não tiveram esse poder. Não causaram esse efeito em quem as leu.
Foram lidas como se lê um folhetim qualquer, que, após lido, vai para a pilha de papéis velhos. 
Eu não tenho o dom da palavra, por isso minhas palavras não têm poder. Não consegui deixar sequer uma saudade, embora tenha escrito páginas e páginas dos meus sentimentos mais verdadeiros. 
Pergunto-me:-
- a pessoa que me escreveu tem o dom da palavra ou eu é que sou vulnerável?
- eu não tenho o dom da palavra, ou a pessoa a quem escrevi não é vulnerável?
Essa dúvida permanece. 
E releio, mais uma vez, tudo o que foi escrito.

(Juracy Lérco em 14-02-2015)

Último amor

Não sei mais falar de amor...
Vivi poucos amores, porque os vivi de maneira tão intensa e tão profunda que não houve espaço para muitos...
O último amor que vivi foi escrito no céu com as cores da alvorada e do crepúsculo...

A alvorada, linda, iluminada, cheia de esperanças, de sonhos por realizar, de conversas infindáveis, de beijos carinhosos, de desejos não contidos, de entendimento total, coração repleto...

O crepúsculo, triste, sombrio, cheio de desespero, de sonhos renunciados, de silêncios infindáveis, de ausência de beijos, de desejos sufocados, de descompasso total, coração vazio...

Não sei mais falar de amor...

(Juracy Lérco em 13-02-2015)

Águas

Estava no terraço, olhando a avenida com o trânsito lento por causa da chuva.
A chuva na cidade traz desconforto e inspira maiores cuidados; então, os motoristas perdem o seu bom-humor.
A chuva, na praia ou no campo, é diferente. Ela traz um efeito purificador, ela não influencia negativamente o humor das pessoas, ela é bem-vinda, ela é benéfica. Ver a terra refrescando-se com os pingos de água, e o ar recebendo o cheiro característico da terra molhada, evoca uma sensação agradável de natureza, de vida exposta ao tempo, sem necessidade de abrigos. Mesmo as poças de lama têm aspecto saudável, dá vontade de afundar os pés na lama, como se os puséssemos num calçado diferente.

Na cidade, a lama é nojenta e sempre carrega lixo misturado, e não desperta nenhuma vontade de tocá-la ou ser tocado por ela. A água que corre para o bueiro é diferente da água que corre para o riacho. A água que vai para o bueiro está maculada pelo pó do asfalto, pelos objetos largados pelo chão, pelos restos de alimentos que alguém deixou cair, pela sujeira que cobre as ruas constantemente.

A água que vai para o riacho carrega terra pura, pequenos galhos e folhas caídos das árvores, pétalas de alguma flor que se desmanchou, talvez um fruto maduro demais que caiu no solo, mas nenhuma dessas coisas é impura, nenhuma nos parece "suja".

A cidade paga um preço alto por seu progresso, porque esse progresso sempre implica em devastar a natureza. O morador da cidade perde o contato com a terra, tudo é coberto pelo concreto, enfeitado artificialmente por algumas áreas verdes que não conseguem retomar a ligação das pessoas com a natureza.

Seria bom se as regiões metropolitanas não fossem esse aglomerado de concreto, que endurece tudo, que acaba por endurecer até os corações.
Seria bom se as áreas de construção tivessem espaços verdes, conservados naturalmente, para não quebrar de forma tão brusca o contato da cidade com as árvores, as flores, os pássaros e as águas naturais. 
Seria bom se os rios urbanos não carregassem em seus leitos a poluição da vida industrializada.
Seria bom se os seres humanos não destruíssem  nem agredissem tudo o que é natural para construir suas vidas artificiais.

Eu acredito que as pessoas seriam mais felizes, mais risonhas, mais confiantes e mais amigas.
O concreto acaba transferindo sua dureza para as almas e as pessoas se tornam frias, tristes, mal-humoradas, prevenidas e insatisfeitas. 
Optar por permanecer na cidade por causa das vantagens financeiras e sociais que ela oferece é abrir mão da liberdade. A cobrança vem e logo começam os sonhos  de passar um fim de semana no sossego de um lugarzinho retirado, silencioso e calmo, perto de uma água limpa, e onde caia uma chuva sem resíduos químicos. Uma chuva composta apenas de água.

(Juracy Lérco em 12-02-2015)


Tenho no olhar...

Tenho no olhar a imensa tristeza de quem viu todos os amores se transformarem em saudade...
Tenho no olhar o imenso cansaço de quem viveu em busca de um ideal que nunca encontrou...
Tenho no olhar o imenso vazio de quem viu todas as ilusões se desvanecendo...
Tenho no olhar a imensa dor de quem viu partir todos os que deveriam ter ficado...
Tenho no olhar a imensa busca, constante e imutável, pelas coisas que gostaria de sentir...
Tenho no olhar o imenso tédio de quem vê a repetição monótona dos dias inúteis...
Tenho no olhar o imenso desespero de quem não tem mais força para correr atrás dos sonhos...
Tenho no olhar o imenso peso do passado que, como carcereiro, não permite a libertação...
Tenho no olhar a imensa agonia de quem teve as asas cortadas e não conseguiu sair do chão...
Tenho no olhar a imensa ansiedade que aguarda, trêmula, pelo esquecimento total...

(Juracy Lérco em 11-02-2015)


Para minha amiga

Nunca imaginei esquecer pesares
Lendo a felicidade de alguém
Nunca imaginei inundar o peito
Com alegria alheia, fazer festa
O coração doído, de repente, ri
Contente porque alguém é feliz!
Quantos espaços tem um coração,
que cabe a dor e a felicidade?
Seca o pranto e pula satisfeito
Porque a pergunta de alguém foi respondida
Porque houve alívio para uma dor bem grande
Porque há amanhã, onde havia desencanto
Hoje é noite em que não se dorme
Hoje sonhamos, amanhã pensamos.

(Juracy Lérco em 10-02-2015)

Perdão

De repente, explode o choro
As lágrimas rolam, sem permissão nem freio
O coração apertado pela angústia e pela dor
O arrependimento, a consciência do erro...

Como eu fiz isso?  Por quê eu fiz isso?
Por quê deixei cair o meu bem mais precioso?
Por quê o atirei fora, num momento de revolta?
Se eu mesma sentia que era um presente de Deus?

Joelhos em terra. Perdoai-me, meu Deus!
Só agora eu compreendo tanto sofrimento...
Vós me obrigastes a perceber o valor da dádiva
E me obrigastes a reconhecer vossa misericórdia

Quanto eu fui ingrata! Horrorizo-me com minha ousadia
De ter desconsiderado vossa atenção comigo
Perdoai-me, meu Deus!

Alívio... uma paz imensa invadindo o coração
Dissolvendo toda a angústia e toda a dor

A mão, em minha cabeça, dizendo, sem palavras:-
" Calma, filha. Eu sou seu Pai e os pais ensinam.
Finalmente, você aprendeu. "

(Juracy Lérco em 08-02-2015)


Linhas

Os dias seguem-se uns aos outros e eu não vejo nenhum sinal, nada que justifique as minhas esperanças de que você volte a falar comigo.
Eu tenho vivido das lembranças do que você me falou, das coisas sobre as quais conversamos, das suas declarações de amor, das suas esperanças num futuro incerto.
Mas, tudo isso, à medida que os dias passam, vai ficando cada vez mais num passado difícil de alcançar. 
Nós nos tivemos por um curto tempo, mas, para mim foi suficiente para se tornar eterno. Para você, não sei o que significou, porque, de repente, você me deixou à deriva e seguiu um caminho ao qual eu não tenho acesso.
Parecemos duas paralelas. Caminhamos lado a lado, separados por uma pequena distância, em direção ao mesmo fim:- a solidão total. As paralelas sempre parecem se encontrar lá adiante, mas isso não passa de uma ilusão de ótica, uma brincadeira da perspectiva.  Quando damos mais alguns passos, a distância constante se faz novamente presente, e a ilusória união do final das linhas fica novamente fora de alcance.

Eu queria poder contrariar as leis da física. Que o fenômeno ótico que causa a junção das paralelas lá na frente, se tornasse verdadeiro a somente alguns passos de nós.
Continuo amando você, isso é imutável. Mas a esperança de que nos encontremos arrefece a cada dia.
Estou quase me habituando ao vazio de você. Seu vulto que me acompanha noite e dia não se afasta, mas, você, o real, não se aproxima.


Uma infinita tristeza toma conta de mim. O imenso amor que eu dedico a você não é suficiente para que você permaneça ao meu lado. Até aceito que é ilusão. Não ilusão do amor, que é profundo demais para ser mera fantasia, mas ilusão de que pudéssemos algum dia caminhar juntos.

(Juracy Lérco em 07-02-2015)

Castelos

Eu construí meu castelo
Perfeito, como num reino encantado
Dentro dele, todos os meus sonhos andavam pelos corredores em busca do amor maior
Em cada quarto uma ilusão dormia numa cama com dossel
As cortinas esvoaçavam como se suspirassem anseios
Mas, o meu castelo era de areia
Não resistiu à chuva
E se desmanchou, levando os meus sonhos e as minhas ilusões ladeira abaixo, misturados à correnteza...

(Juracy Lérco em 06-02-2015)

Resgate

Nem sempre a vida nos concede a oportunidade de voltar atrás, de reencontrar algo que perdemos sem querer.
Quando isso acontece, a vida pode estar nos dizendo uma dessas duas coisas:-
- vocês não se despediram na primeira vez, e continuaram presos um ao outro. Despeçam-se agora e cada um poderá seguir em frente com a vida que escolher.
- vocês não se despediram na primeira vez, porque sabiam que se reencontrariam um dia para resgatar o que foi perdido sem querer, e viver a felicidade que ficou em suspenso.
Descobrir qual das duas propostas é o melhor destino, somente os corações poderão dizer.

(Juracy Lérco em 06-02-2015)

Prece

Alguém me pediu para cuidar de você.
Eu falei que era impossível porque você não queria meus cuidados.
Alguém me disse:- " cuide assim mesmo, ele não quer, mas precisa. "
Então, eu peço, com todo fervor, todos os dias e todas as noites, que você esteja bem e se sinta feliz.
E, pelo tanto que amo você, sei que o meu pedido é atendido.

(Juracy Lérco em 05-02-2015)

Pena de morte

Eu sou contra a pena de morte em qualquer circunstância. Não acredito que a execução do mal produza um resultado positivo, talvez apenas a justiça do olho por olho, que é mais vingança que justiça.  Mesmo que um estuprador violentasse uma filha minha, eu não acharia a compensação para a minha dor, vendo-o morrer executado. Isso não é justiça.

Talvez eu seja má e tenham razão aqueles que se contentam em condenar à morte um criminoso convicto. A minha justiça seria preservar-lhe a vida, mantê-lo encarcerado, obrigá-lo a prover seu próprio sustento através do trabalho e, fazê-lo lembrar-se, diariamente, do crime cometido. Não dar chance para que ele se esquecesse do que fez.

Há crimes para os quais não há perdão absoluto nem relativo. Quem chega ao ponto de cometer um crime hediondo tem que ter estrutura para saber-se imperdoável. Tem que suportar a eterna rejeição que atraiu para si mesmo.

O perdão, na maioria das vezes, é bastante hipócrita. As pessoas perdoam mais para livrarem-se de um sentimento de culpa (também hipócrita), na tentativa de conseguir uma falsa paz consigo mesmas.

Aquele que tem a ousadia de chegar a um extremo, ao qual ninguém que se declare humano deve chegar, precisa ter cacife para aguentar a contra-partida, ou seja, uma punição nas mesmas proporções de seus atos, que não é a morte por execução. Ele deve morrer lentamente, corroído até a última célula, pelo próprio mal que optou por carregar consigo.

Eu sou contra a pena de morte, em qualquer circunstância,por um motivo simples. Não me dou o direito de destruir a vida. A vida é uma coisa misteriosa, um milagre que eu ainda não aprendi a realizar. e eu não destruo o que não sei construir. Eu não seguraria o machado, não apertaria o gatilho, não colocaria o laço, não puxaria a alavanca da eletricidade, não abriria a torneira do gás e nem aplicaria a injeção letal.

Mas, como eu disse, talvez eu seja mais impiedosa do que os executores. Eu colocaria o inferno na vida do criminoso, para que ele vivenciasse em si mesmo o mal que causou.

(Juracy Lérco em 05-02-2015)


Sofrimento

A mulher, quando ama e não é correspondida, sofre perdendo a auto-estima por não se achar atraente o suficiente para ser amada.
O homem, quando ama e não é correspondido. sofre e perde a auto-estima por não se achar capaz de conquistar a mulher amada.
O sofrimento da mulher é passivo. Ela chora, recolhe-se a um canto e curte sua dor.
O sofrimento do homem é ativo. Ele não consegue ficar quieto, ocupa-se com qualquer coisa que minimize a dor.
É natural que haja homens que sofrem como as mulheres e busquem o recolhimento.
Assim como é natural que haja mulheres que sofrem como os homens e busquem o movimento.
As maneiras de expressar podem ser diferentes, mas o sofrimento é o mesmo.

(Juracy Lérco em 04-02-2015)

Sonhadora...

" E aqueles singelos arcos no caminho indicavam a entrada da nossa casa, onde todos eram bem-vindos. 
O nosso refúgio era a morada da felicidade onde realizamos todos os nossos sonhos de amor. Um amor tão imenso que, como um ímã, atraía todos os que por ali passavam. 
E nós os recebíamos, ansiosos  para derramar sobre todos esse amor que brotava da fonte inesgotável que nós dois criamos. " 

(Juracy Lérco em 04-02-2015

Alma triste

" O teu coração era o mar onde o rio das minhas emoções ia desaguar.
A água, límpida, carregava a alegria, a paixão profunda e um amor imenso.
Hoje, as águas não correm mais. Tudo ficou denso e inerte como um pântano.
E, nesse pântano, a alegria ficou doente, a paixão entrou em agonia, e o amor imenso grita, inutilmente, por socorro. "

(Juracy Lérco em 04-02-2015)

Leão, o brilho

O quinto signo
Elemento:- Fogo
Regente:- Sol
Ocupante original da Casa V
Modalidade de energia:- Fixa

O nativo do signo de Leão, homem ou mulher, nunca vai passar despercebido. Traz consigo uma luz própria que torna a sua presença sempre notada. Com platéia ou não, o leonino age sempre como se estivesse no palco, sob os holofotes. É dramático no verdadeiro sentido da palavra, ou seja, ele não age, ele atua, tal é a elegância natural com que se manifesta e que faz dele sempre uma figura encantadora. 

Traz consigo as qualidades de seu regente, o Sol. É o calor que aquece com sua generosidade, é a vida que se transmite com o seu otimismo, é a luz que não se apaga, ausentando-se apenas para recarregar a força.

O signo de Leão favorece seus nativos com beleza, com luz irradiante, com generosidade, com o orgulho de ser quem é, com sentimentos de verdadeira amizade e amor para com todos os outros seres. Leão é o signo do Eu e pela modalidade fixa da energia do elemento Fogo vai cuidar, primeiramente, de si mesmo, o que não significa egoísmo ou egocentrismo, como muitos julgam. O leonino sabe, por intuição, que precisa estar bem consigo mesmo para estender qualquer benefício a outros. 

O leonino tem espírito de liderança. A verdadeira liderança. Quem o segue, faz isso de livre e espontânea vontade, porque sabe que ele merece ser seguido. Onde Áries quer ser, Leão já é, e tem consciência disso.

No corpo, as áreas vulneráveis de Leão são o coração (a aorta e as coronárias), os olhos, a coluna e as costas. As doenças que podem afetar um leonino têm sempre relação com o coração e os problemas psicológicos mais comuns são a paranóia e a megalomania. São comuns palpitações, síncope, febres, angina e aneurismas.  O leonino sob constante pressão ou com a energia vital bloqueada pode trocar o nobre orgulho pela arrogância, e suas naturais qualidades de comando passam da liderança para o autoritarismo, podendo chegar ao despotismo. 

Leão gosta de ser o centro das atenções e gosta de aplausos. Normalmente, ele não precisa se esforçar para obter isso, acontece de forma natural devido ao poder de sua personalidade. Quando essa necessidade se torna obsessiva, teremos Leão manifestando sua "sombra", querendo brilhar de forma exagerada e tentando ofuscar os demais. Quando um leonino manifesta esse tipo de comportamento, podemos ter certeza que algo muito grave está acontecendo com ele. Sua energia está sofrendo bloqueios e girando para dentro, sem irradiação. 

O leonino é simpático, amável, gentil e amoroso; capaz das paixões mais ardentes e de amores intensos. Gosta das coisas boas e belas e não poupa dinheiro para obtê-las. Para ele, a glória é mais importante que o dinheiro. Gosta de presentear com qualidade e elegância. Gosta de ser reconhecido e apreciado. É verdadeiro. Dificilmente encontraremos um leonino que não expresse o que realmente é. O elemento Fogo garante a autenticidade para seus nativos, não só no signo de Leão, mas também em Áries e Sagitário. 

Leão é intuitivo e está à frente de seu tempo; só mantém a tradição e o conservadorismo porque preza muito o seu papel social. A vontade de Leão está centrada no seu coração, é um ser emocional. Extrovertido e radiante, é capaz de injetar vida em tudo o que toca. Leão é a emoção que se mostra, que não tem vergonha de se expor. Leão é a etiqueta e a ética, é a palavra dada, é a lealdade que não admite dissensão. 

O leão que se reprime, que tem sua energia bloqueada, pode parecer um gatinho. Aparentemente inofensivo, mas sempre com as garras prontas para arranhar, porque sabe que não nasceu para ser domesticado, mas, ao mesmo tempo, não encontra a coragem para se impor. A timidez é uma doença séria para um leonino, pois ela vai impedi-lo de ser quem é e de manifestar o seu potencial. Podem surgir graves depressões e uma vergonha do vazio de sua própria existência. Vira o fracassado que, apesar de saber que precisa mudar, não consegue quebrar a rigidez em que a covardia o mantém preso. 

Pode ocorrer também que um leonino anulado queira se realizar através do filho. O projeto é sempre falido porque o filho vai se sentir um instrumento e a intolerância e a agressividade podem se fazer presentes em ambas as partes. O pai vai querer impor sua vontade a qualquer custo e o filho vai usar qualquer recurso para não ser subjugado. Esse Leão perde o brilho do Sol; torna-se tirano, e a platéia que poderia ser espontânea torna-se capitalizada. 

Assim como o signo de Câncer pode trazer dificuldades a um homem, o signo de Leão costuma trazer dificuldades para as mulheres que nascem sob ele. A sociedade tradicionalmente machista ainda não aceitou totalmente que a mulher é tão inteligente quanto o homem, e que pode ocupar qualquer lugar ou realizar qualquer coisa tão bem quanto um homem. O comportamento bastante "masculino" das leoninas costuma amedrontar aqueles homens (e também aquelas mulheres) que ainda não conseguem enxergar um "ser humano" numa pessoa, antes de classificá-la por gênero.


Para Leão, os relacionamentos amorosos mais harmoniosos estão com os signos que formam sextis, Gêmeos e Libra, ambos do elemento Ar. bastante independentes também, e capazes de dar forma e conceituar as inspirações leoninas. Os trígonos são improdutivos, Áries e Sagitário, porque também são signos de comando e a relação pode se tornar uma disputa de egos. Para amizades, é possível compatibilizar, mas para o amor fica difícil. A oposição com Aquário pode gerar uma complementaridade:- o aquariano ajuda o leonino a descentralizar um pouco e o leonino ajuda o aquariano a centralizar um pouco. A quadratura com Touro pode gerar um fascínio, mas não há duração porque o choque de egos é muito forte. A quadratura com Escorpião costuma produzir uma paixão ardente, cuja duração e consolidação vai depender dos dois: Leão não pode tentar evaporar a água de Escorpião com seu fogo; e Escorpião não pode tentar apagar o fogo de Leão com sua água.

Eu, particularmente, admiro os leoninos. Conheci muitos, tenho amizade com vários e amei especialmente um, há muitos anos atrás. Foi um amor maravilhoso, digno de um livro, que deixou saudade por mais de vinte anos. Quem conhece essa minha história de amor costuma dizer que ficaria feliz em vivenciar dez por cento do que eu vivi. Foi único e inimitável.

(Por Juracy Lérco em 03-02-2015)





Beleza

" A beleza tem muitas formas e expressões. Quando a beleza está associada à delicadeza atinge uma proporção que, além de agradar aos olhos, fala alguma coisa à alma. "
(Juracy Lérco em 16-01-2015)

O anjo

Um anjo me apareceu num sonho e me disse:- " vou levar todo o amor que você tem no coração e espalhá-lo pelos quatro cantos do mundo. "
Eu perguntei:- " Por quê? "
O anjo respondeu:- " Porque o amor não é para ser guardado no coração. "
Não consegui lembrar de mais nada e estou pensando no sonho até agora...
(Juracy Lérco em 16-01-2015)