O amor esperado

Um lampião iluminava
A entrada da pequena casa
E o homem só, que ali morava
Acendia-o ao anoitecer...
Aquela fraca luz indicava
Que havia alguém na pequena casa
Um coração que ainda esperava
Por um grande amor que não voltava...
Durante o dia, o homem trabalhava
E do pequeno jardim ele cuidava
Se ela voltasse, haveria flores
Os cravos que haviam sido seus amores
E os gerânios que ela mais amava...
Um dia, no passado, a pequena casa
Abrigou um amor que há muito não se via
Aquele de duas almas que se complementam
E entendem uma à outra só pelo olhar
Um amor de sonho e poucos são os que tentam
Viver, na realidade, as coisas que inventam...
Houve, na pequena casa, uma grande felicidade
Até que ela se foi e de si deixou a saudade
E o homem ficou só, sem saber que na verdade
Não bastava para ela ser amada, ser querida
Ela queria mais e foi buscar uma outra vida
E, em breve, da pequena casa, se faria esquecida...
Ele a ama, e a volta dela continua esperando
Na força do seu amor ele segue acreditando
Ela voltará, ele só não sabe quando
Acende todas as noites o lampião aguardando
Que da luz, da casa e das flores, ela acabe se lembrando...

(Juracy Lérco em 01-10-2015)




Prisioneira

Acorrentada a um passado bem distante
Não encontro a ponte até o presente
E não há vislumbre do futuro...
Um grande vazio de memórias
Fez a vida parar naquele instante...
Dali não sei sair sem a ajuda da lembrança
E a lembrança se recusa a me ajudar
Condenada a viver o mesmo momento
Sempre e sempre...
O momento do beijo que eu dei...


(Juracy Lérco em 05-05-2016)