Faça-se a luz!

Faça-se a luz!

"E então eles cobriram suas vergonhas e saíram do Paraíso."
"Eles perceberam que estavam nus e se envergonharam."

Quem criou a serpente do Paraíso?
Se a serpente era o Diabo, como tinha trânsito livre no Paraíso?
Por quê a mulher foi criada de uma parte do peito do homem?
Como a mulher pode ser a personificação do mal, se ela foi criada por Deus para que o homem não vivesse sozinho?
Por quê a maçã é o fruto proibido?
Por quê era proibido ao homem comer o fruto da Árvore da Vida?
Por quê ao tomarem conhecimento de que eram sexualmente diferentes para se complementarem, foram amaldiçoados e expulsos do Paraíso?
Quê experiência fantástica estava sendo realizada por Deus no seu trabalho de Criação?
Quem escreveu o Antigo Testamento?

Perguntas... perguntas... perguntas...
Não se... não sei... não sei...

A Bíblia não oferece respostas. Quem é religioso e se sente satisfeito com o conteúdo da Bíblia e a considera um legado de Deus, que se sinta feliz pela simplicidade de seu coração e de sua mente. Mas, permita que os atormentados e insatisfeitos continuem suas buscas por respostas.

Deus criou o homem e a mulher e eles tinham órgãos sexuais. Não foi uma complementação feita pelo Diabo. O órgão sexual em si, portanto, não era do mal. Só passou a ser do mal quando o homem e a mulher o perceberam, quando o conheceram, quando tiveram consciência dele. Desse mal veio a idéia de pecado, o homem e a mulher pecaram contra Deus ao conhecerem seu sexo. Presumo então que o pecado está na idéia do sexo, seu uso, sua aplicação. Se o prazer acompanhava o sexo para facilitar a procriação forçando o acasalamento, por quê o prazer não podia ser sentido e valorizado? O sexo deveria ser considerado um dever, uma função obrigatória, com o propósito de povoar a terra? Por quê o prazer despertado pelo sexo era uma sensação tão boa que fazia o homem e a mulher se sentirem próximos da divindade, libertando-se das limitações do corpo físico e penetrando mundos desconhecidos, sem medos, livres para voar em busca do infinito? Eram instantes, mas a noção do tempo também mudava, era um passeio pela eternidade, tornando dois em um numa comunhão total.

Esse conhecimento custou ao homem e à mulher a expulsão do Paraíso. A expressão "eles se conheceram" foi largamente usada nos escritos para significar que ele se uniram sexualmente. Presumo que o ato sexual é conhecimento. Conhecimento de quê?

(Estava conversando com meu filho e as indagações rolaram soltas. Ele expôs suas opiniões a respeito e delas eu tirei novas conclusões.)

Por quê em todas as línguas ou idiomas (nós comprovamos isso) temos expressões idênticas para o jogo sexual?
" A mulher dá para o homem."
" O homem quer comer a mulher."
" A mulher quer ser possuída."
" O homem quer possuir a mulher."

O quê a mulher tem de tão especial e valioso em sua natureza que ela anseia desesperadamente entregar ao homem? ("Entregar-se" também faz parte das palavras mais usadas.)
O quê o homem sabe que a mulher tem que ele anseia desesperadamente comer, alimentar-se disso?
O quê a mulher tem que ela quer que o homem possua?
O quê o homem sabe que a mulher tem e ele anseia possuir?

O homem é o caçador e a mulher é a caça, isso nunca vai mudar. Perdoem-me as feministas que querem que homens e mulheres tenham direitos iguais, mas acabam estendendo isso ao comportamento, ao papel que representam, à função de cada um. Isso nunca vai poder ser igual. Homem e mulher são naturezas diferentes para se complementarem e não para disputarem papéis. Que fique bem claro que eu aprovo a mulher trabalhando e ocupando qualquer cargo para o qual seja competente e que não vejo desdouro nenhum se o homem lavar a louça ou trocar o bebê. Essas bobagens do cotidiano nada tem a ver com o que falamos sobre o papel (não gosto do termo, parece representação) ou função (melhor esse) a desempenhar. A mulher atrai, o homem conquista, é o yin e o yang se unindo para criar alguma coisa.

Quero deixar bem claro uma outra coisa que se aprende estudando ocultismo e psicologia, ou simplesmente observando a vida. O filho, resultado de um ato sexual para procriação é a última obra que o sexo permite criar. O filho, ou os filhos representam a não-realização das possíveis criações que o sexo engloba, por falta da compreensão e do conhecimento, e que simbolizam a motivação deixada por herança, ou seja, os pais não conseguiram, mas talvez os seres de sua continuidade possam conseguir.

Voltando às frases. É claro que o termo "possuir" contém a idéia de "propriedade. A mulher quer que o homem a possua porque a posse vai representar cuidados e continuidade. O homem quer possuir a mulher pelo mesmo motivo. Daquilo que é dele, ele vai cuidar e vai ter sempre.

Todos já ouviram dizer que a prostituição é a profissão mais velha do mundo. Voltamos ao valor e especialidade daquela alguma coisa que a mulher tem e que o homem quer, estando disposto até a pagar por isso, de tão importante que é. Uma boa quantidade de homens não consegue reconhecer a mulher que "quer dar para ele", Então, em última instância, ele compra o que precisa comer. Uma boa quantidade de mulheres não consegue reconhecer o homem que quer comê-la, Então, em última instância, ela coloca um preço e vende para aquele que aparecer.

O poder contido na energia sexual é o poder da criação e era isso que o homem não deveria descobrir. As religiões cuidaram para que o homem e a mulher acreditassem ter pecado contra Deus, criaram até o "pecado original", do qual somos todos produtos e é um estigma do qual não devemos nos esquecer. Para não ficar tão evidente o desprezo pela mulher, criaram até uma que foi mãe, mas permaneceu imaculada, ou seja, não cometeu o pecado original. Presumo que a mulher para ser reconhecida pela igreja como ser existente terá que permanecer virgem, haja vista as freiras dos conventos. O homem teve também a sua cota, foi premiado com a glória do celibato. Foi mais ou menos assim:- homem, mantenha distância da mulher porque ela é a tentação e o demônio; mulher, fique longe do homem e mantenha-se pura para Deus. O que eles nunca disseram é que sempre morreram de medo que homem e mulher se unissem e descobrissem  a verdade sobre a união sexual. Pra quê mais deuses? Um é o bastante. E fizeram questão de apresentar um deus irado, com condenações ao inferno, que deve ser OBEDECIDO, TEMIDO e AMADO.

Lamento.
Não, não lamento não.
Se eu tiver que ter um deus que sabe tudo o que é bom pra mim, que resolve a minha vida do jeito que ele acha melhor, que considere a minha vontade verdadeira como bobagem e do qual eu deva esperar todas as soluções para os meus problemas, eu não existo.
Se eu tiver que ter um deus que me tire o que eu mais amo porque talvez vá me dar algo que ele considera melhor, eu passo.
Se eu tiver que ter um deus que me deu o pensamento, a inteligência, a emoção,  mas não adianta eu fazer uso disso porque ele é quem vai decidir por mim, eu passo.
Eu sento, espero, e ele que resolva tudo.

Minha idéia de Deus, o meu Deus, com maiúscula, é aquele (ou aquilo) que me criou, colocou em mim tudo o que eu precisaria para viver bem e me disse:- "vire-se, a minha parte eu já fiz, o resto é com você."

Ao meu Deus eu dedico AMOR, RESPEITO e ADMIRAÇÃO. Não o obedeço porque Ele não me dá ordens, ele me deu a possibilidade de escolha; não o temo porque jamais ele me puniria. As minhas escolhas erradas me punem.

Eu fico imaginando o meu Deus, sorrindo, balançando a cabeça, surpreso com as coisas que lhe atribuem, não interferindo, deixando todos simplesmente viverem.
(Juracy Lérco em 27-09-2014)




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