ACREDITAR...

ACREDITAR...

A realidade é como um remédio ruim. Sabemos que é necessário, mas é duro de engolir.
Como eu pude acreditar que era amor?
Que amor era esse se ele nunca teve necessidade de me ver, de ouvir a minha voz, de olhar nos meus olhos, de me tocar, de me abraçar, de me beijar?
Embora essas perguntas se fizessem presentes o tempo todo, eu aquietava o coração ansioso, dizendo que ainda não era o momento, mas que o tempo certo chegaria.
O tempo foi passando e o momento nunca chegou. E quando eu pedi um encontro, ele se recusou, alegando estar num mau momento, sem cabeça para "essas coisas".
"Essas coisas" foi como ele chamou o amor que só eu acreditei que houvesse entre nós. Que somente eu queria que houvesse.
Na verdade, eu amei sozinha desde o início; da parte dele não consigo encontrar uma definição do sentimento que havia, se é que houve algum sentimento.
Eu queria tanto ser amada por ele, que me convenci que ele me amava. Eu sentia tanta necessidade da presença dele, que acreditava que ele também sentia. Eu queria tanto estar em seus braços, tocar seu rosto, abraçá-lo e beijá-lo, que acreditei que ele também me queria. Eu o sentia tão parte de mim, que acreditei que também fosse parte dele. Eu queria tanto olhar nos olhos dele, puros e lindos, sempre amados, que acreditei que ele também ansiasse por ler amor nos meus olhos.
Eu acreditei que ele tivesse me acordado para a vida, mas agora vejo que estava dormindo e sonhando. Sonhando que era possível. Sonhando que, finalmente, eu tinha alcançado a felicidade que sempre procurei.
Ele me enganou, mentiu para mim, e fugiu covardemente sem explicações. O choque foi tão grande que aí, sim, eu acordei. Despertei para encarar a mim mesma e me perguntar se já não era o suficiente para sair da ilusão.
A dor foi tão intensa que eu morri mil vezes antes de aceitar a verdade.
Agora, estou acordada. Pronta para tomar o remédio ruim e engoli-lo. Que o remédio ruim cumpra o seu papel e me mantenha acordada pelo resto dos meus dias, para nunca mais acreditar.
(Juracy Lérco em 11-09-2014)

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