Depressão

Eu costumava encher a boca para dizer que "depressão" era coisa de quem não tinha o que fazer. Que bastava ocupar-se, fazer algo útil e não haveria depressão. 
Enganei-me redondamente. Confesso que eu estava errada e não tenho vergonha de pedir desculpas às pessoas que talvez eu tenha magoado com o meu conceito errado.

Eu sei que existem aquelas pessoas que estão sofrendo simplesmente de tédio e acham que estão com depressão, porque não conseguem mostrar entusiasmo e envolvimento com nada.

Há também aquelas que realmente não têm o que fazer; cuja vida financeira está garantida por uma boa aposentadoria ou por uma renda qualquer e não precisam se preocupar com o dinheiro. A vida familiar pode estar dentro de uma ordem satisfatória e não lhes solicita a presença. Então, elas sentem-se inúteis, acabou a correria, tudo ficou sossegado demais. A paralisação das ações, por falta de urgência ou por falta de ter onde agir, também pode levar as pessoas a acharem que estão com depressão. Na verdade, só estão inertes, parece que a vida atingiu o ponto que precisava atingir e não há mais nada a ser feito.

Há também aquelas pessoas, eternamente insatisfeitas, que buscam o tempo todo inovações e coisas diferentes, e quando não têm condição de renovar o cenário, os móveis, as roupas ou as outras coisas que compõem o seu mundo, entram num estado de descontentamento com a vida, ao qual dão o nome de depressão.

Agora eu sei o que é depressão.
Depressão de verdade.

Depressão é um estado em que a pessoa não para de levar sua vida normal. Ela cumpre suas obrigações, paga suas contas, atende os familiares, dorme e acorda nos horários necessários, alimenta-se, veste-se, calça-se, espera em filas, faz compras, cuida da casa ou trabalha para o sustento da família, enfim todas as tarefas que o dia a dia lhe pede para fazer. 

Só que ela faz tudo isso profundamente triste, essas coisas,  se já lhe trouxeram satisfação um dia, não lhe trazem mais. E isso acontece porque alguma coisa mudou sua maneira de pensar, de sentir e até de agir. A pessoa, na maioria das vezes, sem perceber, abriu mão e negou-se alguma coisa vital para o seu ser emocional. 

Quando essa renúncia é resultado de uma ação consciente, de uma escolha, é pior ainda, porque significa um aprisionamento voluntário.  A pessoa está de tal forma presa a uma vida já delineada, segura e que se desenvolve com facilidade, que ela prefere sofrer a transtornar essa "paz" conseguida, às vezes, a alto preço. 

É o raciocínio de "não se mexe em time que está ganhando". Ela olha o conjunto de sua vida e parece que todos que fazem parte desse conjunto estão bem e felizes com as coisas do jeito que estão. Por isso ela se recusa a ser a nota dissonante que pode por tudo isso a perder. Ela abre mão de si mesma pelos outros, nem quer questionar se as pessoas pelas quais está se sacrificando valem a pena do seu sacrifício, quase aceita como um dever.

Mergulha num estado de não-ser, de não-querer e de não-agir e continua levando a vida que os outros esperam que ela leve.

(Por Juracy Lérco em 13-12-2014)





2 comentários:

  1. Caraca!!!!! Você escreveu de forma excelente, disse muito bem o que é depressão, um não ser feliz contante, e é involuntário, parece que algo quebrou...Mas, tem como consertar, precisa de ajuda médica, mas o que faz a diferença é encontrar quem e o qe te faz bem....To aqui, ok, sempre que quiser falar tem o email. E, não é fraqueza ou qualquer outra coisa, é realmente um mal psicológico e as vezes orgânico também. Bj

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    1. Valquiria, já tentei de tudo. Estou fazendo a EFT do Enéas Guerriero, ele ajudou muito, mas não consigo sanar o problema. Procurei a hipnose, mas é caro demais. Qualquer hora te escrevo um e-mail e te conto o que me fez pirar. Hoje estou na correria, morte de um conhecido, velório, essas tristezas. Obrigada pelo ombro. Beijo.

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