Sou adulta o suficiente para entender que raros relacionamentos são harmoniosos e duram uma vida, e mais raros os que duram mais que uma vida.
Os desentendimentos acontecem, as palavras soam mal ou bem, dependendo do momento em que são pronunciadas, os corações se fecham e as pessoas se afastam.
Eu entendo tudo isso, sei que é assim. Por mais sintonia que tenhamos com uma outra pessoa, haverá aquele momento em que a nota dissonante se faz presente, atua e pode provocar o descompasso, um não consegue acompanhar o ritmo do outro e a dança acaba.
Em todo esse processo doloroso do fim de um relacionamento, eu só questiono a falta de dignidade no procedimento, porque ela vai invalidar o sentimento que existiu, como se ele fosse um erro.
Fugir, esconder-se, negar-se a colocar o ponto final é a mais triste das posturas que se pode adotar. Se houve coragem para dizer " eu te amo ", por quê não há coragem para dizer " não te amo mais " ?
Tem que haver dignidade e coragem para dizer ao outro:- cansei, não quero mais, não amo você, amo outra pessoa, não é o que eu procurava, enganei-me, vou cuidar da minha vida...
É duro ouvir coisas assim, principalmente quando o amor permanece em você?
Claro que é duro. Você vai chorar, vai se desesperar, a vida parece acabar, e você fica um bom tempo sem rumo, sem norte, sem propósito.
Mas, vai chegar o tempo de superar, porque o ponto final foi colocado. Você não foi simplesmente ignorado, você foi " respeitado ", a outra pessoa começou e terminou alguma coisa. O ponto final vai aparecer o tempo todo em seus pensamentos e você acaba aceitando-o, e pode se mover de novo para recomeçar, para viver novos momentos.
Entretanto, quando sua única resposta é o abandono, a fuga, a recusa e o silêncio esmagador, você entra num estado de alternâncias de comportamento, ora desanimador, ora esperançoso.
Não houve um fim, como pode haver um novo começo?
É como você não ver o enterro de alguém que morreu. O enterro é o ponto final. Sem presenciar isso, vai parecer sempre que a pessoa continua viva, que você poderá encontrá-la a qualquer momento.
Nunca devemos pensar que não pondo fim a alguma coisa, estaremos poupando uma outra pessoa de sofrimento. Nessa tentativa de poupar um sofrimento, estaremos causando um número incalculável de outros sofrimentos. Estaremos destruindo lentamente a outra pessoa, obrigando-a a vagar num eterno mar de dúvidas e perguntas.
(Por Juracy Lérco em 19-12-2014)

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