Verbos

O futuro do pretérito de qualquer verbo deveria ser abolido da linguagem.
Quem sabe se não houvesse maneira de expressar algo inútil, as pessoas cuidariam de ser mais exatas ao expressar seus desejos frustrados, seus sonhos não realizados.
Vamos analisar algumas frases bastante comuns na linguagem do dia a dia de muitos de nós, talvez da maioria.
1. Eu queria ter ido viajar neste fim de semana.
Ora, céus, se você "queria", porquê não viajou?
2. Eu teria recebido um aumento de salário se tivesse exposto o meu trabalho para o meu encarregado.
Ora, céus, se a oportunidade ia se apresentar, porquê não se preparou para ela?
3. Poderíamos ter sido tão felizes se não tivéssemos brigado por coisas tão bobas...
Ora, céus, porquê você não sentou e conversou com ela (ou com ele) a respeito dessas brigas por coisas bobas?
4. Eu frequentaria a faculdade se não tivesse que trabalhar para ajudar nas despesas da casa.
Ora, céus, o quê pesa mais, o quê tem mais relevância para você? A frustração de não ter frequentado a faculdade ou a culpa por não ter ajudado a sua família? A sinceridade com você mesmo é muito importante nessa escolha.
5. Eu trabalharia melhor se tivesse o equipamento que preciso.
Ora, céus, coloque esse equipamento adequado como sua prioridade e faça melhor o seu trabalho.

Se continuarmos com as frases de "queria", "poderia", "teria", "seria", "haveria" escreveremos um compêndio de inutilidades.
Precisamos abandonar o vício de nos expressarmos num tempo passado que não oferece realização. O passado só é bom quando trata das coisas realizadas, aquelas que levamos a cabo, aquelas em que fomos até o final.

Chega de ter saudade do que poderia ter sido ou acontecido. Se não é, se não aconteceu é porque, na verdade, não queríamos. Quando queremos alguma coisa, de verdade, movemos céus, terras e mares para conseguir. Se não nos esforçamos para conseguir ou se deixamos que as dificuldades sejam mais fortes e vençam a parada é porque a vontade ou o desejo não é tão grande, não é tão importante. A prova disso é que há sobrevivência após os "teria sido", "teria feito" ou "seria bom".

Lamentar ou expressar desejos frustrados é dar atestado de incompetência. Não importa se acrescentamos uma porção de justificativas para a nossa não-ação. Continua sendo um fracasso da vontade, do desejo ou do sonho.

Ser, ter e querer são verbos especiais, é bom que prestemos atenção neles. São verbos que vão definir o que fazemos da nossa própria vida. Eles precisam ser reais, precisam de substância.
Então, vamos conjugá-los no passado, presente ou futuro, mas nunca acompanhados de "se" e nunca no futuro do pretérito, porque é um tempo que não existe.
(Juracy Lérco em 02-12-2014)

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