Pena de morte

Eu sou contra a pena de morte em qualquer circunstância. Não acredito que a execução do mal produza um resultado positivo, talvez apenas a justiça do olho por olho, que é mais vingança que justiça.  Mesmo que um estuprador violentasse uma filha minha, eu não acharia a compensação para a minha dor, vendo-o morrer executado. Isso não é justiça.

Talvez eu seja má e tenham razão aqueles que se contentam em condenar à morte um criminoso convicto. A minha justiça seria preservar-lhe a vida, mantê-lo encarcerado, obrigá-lo a prover seu próprio sustento através do trabalho e, fazê-lo lembrar-se, diariamente, do crime cometido. Não dar chance para que ele se esquecesse do que fez.

Há crimes para os quais não há perdão absoluto nem relativo. Quem chega ao ponto de cometer um crime hediondo tem que ter estrutura para saber-se imperdoável. Tem que suportar a eterna rejeição que atraiu para si mesmo.

O perdão, na maioria das vezes, é bastante hipócrita. As pessoas perdoam mais para livrarem-se de um sentimento de culpa (também hipócrita), na tentativa de conseguir uma falsa paz consigo mesmas.

Aquele que tem a ousadia de chegar a um extremo, ao qual ninguém que se declare humano deve chegar, precisa ter cacife para aguentar a contra-partida, ou seja, uma punição nas mesmas proporções de seus atos, que não é a morte por execução. Ele deve morrer lentamente, corroído até a última célula, pelo próprio mal que optou por carregar consigo.

Eu sou contra a pena de morte, em qualquer circunstância,por um motivo simples. Não me dou o direito de destruir a vida. A vida é uma coisa misteriosa, um milagre que eu ainda não aprendi a realizar. e eu não destruo o que não sei construir. Eu não seguraria o machado, não apertaria o gatilho, não colocaria o laço, não puxaria a alavanca da eletricidade, não abriria a torneira do gás e nem aplicaria a injeção letal.

Mas, como eu disse, talvez eu seja mais impiedosa do que os executores. Eu colocaria o inferno na vida do criminoso, para que ele vivenciasse em si mesmo o mal que causou.

(Juracy Lérco em 05-02-2015)


Um comentário:

  1. Não, você não é má...pensar sobre o bem e o mal é extremamente difícil....há sempre, no mínimo, duas opiniões...e o matar não justifica nada, nem reverte o mal praticado...

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