Dispersão

Fico pensando nos amigos de infância, afetos que pareciam inseparáveis, mas que a vida se encarregou de dar a eles rumos distintos, para nunca mais se cruzarem...

Fico pensando nas famílias, cuja união parecia indissolúvel, e que, de repente, se separaram, tomando novos caminhos, compondo outras famílias...

Fico pensando na casa construída com muita luta e à qual se prometeu conservação constante, e que, de um momento para outro é abandonada por um novo interesse e que vem a desmoronar junto com o sonho que a projetou...

Fico pensando no corpo saudável que abriga uma mente realizadora e que caminha para uma vida plena; que, de repente, é surpreendido por uma doença incurável e se vê obrigado a renunciar não só à plenitude, mas também à vida...

Fico pensando no amor jurado, na crença absoluta de que nada poderia abalar seus alicerces tão bem fundamentados, e que, de repente, tomado de assalto por coisas muito inferiores a ele, deixa-se subjugar e renuncia à sua própria perfeição...

Se tudo é transitório e devemos aceitar esse fato, porque temos em nós a idéia de duração, a idéia da eternidade?

Plagiando Vinicius de Morais:- se é para desfazer, por quê fazer?

(Juracy Lérco em 17-02-2015)



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