A chuva molhava o rosto dela, misturando-se às lágrimas que rolavam de seus olhos. Ela não queria abrigo. Ele se fôra, nenhum outro abrigo lhe traria o conforto do abraço dele.
Ela chorava, com o coração apertado pela saudade que sentia dele. No seu coração ficara um vazio, ela estava ôca, não tinha com o que preencher o espaço que ele deixara.
Ela andava pela noite, profundamente triste, perguntando-se o que iria fazer com seus dias, que antes eram só dele. Ela se habituara com a presença dele e esquecera de si mesma. Não havia vida sem ele.
A chuva molhava seus cabelos, mas ela não sentia. Os cabelos que ele acariciara, agora estavam molhados, em desalinho, como molhado estava o seu coração.
A chuva molhava o corpo dela, o corpo que fôra todo dele, que recebera seus afagos e suas carícias e que, agora, tremia ao relembrar os momentos de paixão e ficava febril com a ansiedade de ser tocado.
A chuva molhava seus lábios; os lábios que estavam sempre à espera dos beijos dele. Os lábios que ele beijara ávidamente, os lábios que correspondiam a todos os anseios dele.
Ela não sentia frio, não se incomodava com a chuva que a encharcava.
O gelo que se instalara em sua alma, desde que ele partira, tornara-a imune a qualquer outra espécie de frio. Ela queria mesmo que o frio e a chuva a deixassem doente. Estava doente da alma, precisava do corpo doente para que a morte viesse.
Se a morte chegasse, ela lhe daria as boas-vindas e não hesitaria em acompanhá-la. Chorou mais. Chorou pelo amor perdido, chorou pela imensa tristeza que sentia, chorou pelo vazio que ele deixara.
E suas lágrimas continuaram a se misturar aos pingos da chuva que caía sobre ela...
(Juracy Lérco em 22-05-2015)

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