Está difícil. Muito difícil.
Eu disse adeus a tudo ao mesmo tempo.
Ficou um imenso vazio que eu não quero preencher.
Havia quase que uma rotina diária nas "minhas coisas", coisas só minhas com que eu me ocupava, em meio às ocupações do dever.
Esses intervalos eram meus, para eu sonhar, para aprender, para me aperfeiçoar como Ser. Atenção ao amor, às amizades, a tudo aquilo que era a minha vida fora da pessoa que sou.
A pessoa continua. Lava, passa, limpa, cozinha, toma conta das crianças, atende às necessidades da casa, vai ao banco, vai ao mercado, carrega o celular, chama o eletricista, faz tudo o que o dia a dia lhe pede.
Quem ficou sem vida foi o Ser. Não há amor, não há amigos, não há vontade de nada. Apenas o silêncio e o vazio. Esgotaram-se as tentativas. O Ser quer apenas ficar imóvel, sem idéias, sem pensamentos, sem propósitos. Apenas mergulhar no nada e transformar-se em nada.
Acho que até escrever chegou ao fim. Não há mais nada sobre o que escrever. Sem emoções, sem temas.
Finalmente, é o fundo do poço. É frio e triste aqui. Exatamente como eu. Estou no meu lugar.
(Juracy Lérco em 27-01-2015)

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