Livres prisioneiros

Há pessoas que conseguem ser felizes dentro de um metro quadrado. 
Erguem quatro muros que as protegem da entrada de qualquer estranho em suas vidas, e também não saem de seu espaço para interagir com ninguém.

De vez em quando, espiam por cima do muro e alguma coisa lhes chama a atenção. Dão uma corridinha lá fora, tentam um contato com o que lhes agradou e, por um momento, experimentam a delícia da liberdade.

Mas dura pouco. Logo, os muros da proteção começam a fazer falta, o medo de se arriscar fora do seu mundo seguro e conhecido as domina.
Sem mais nem menos, correm de volta ao que acham que lhes dá apoio. Como não há portas, não há como alguém de fora penetrar nesse espaço fechado.

Essas pessoas nunca deixarão o que acham certo pelo que acham duvidoso. Duvidam de tudo e de todos, tudo o que não é conhecido é ameaça.  Mesmo que o seu pequeno mundo seja limitado e as sufoque, é o mundo que conhecem. Negam-se terminantemente a conhecer novas coisas e novas pessoas. 

Aqueles que estão do lado de fora dos muros olham com estranheza para aquela aparente paz e felicidade dentro dos cubículos de um metro quadrado. Talvez até com inveja, inveja daqueles que se contentam com pouco e conseguem ser felizes. Porém, essa inveja é momentânea porque esse tipo de felicidade só existe para aqueles que escolhem viver dentro dos espaços de um metro quadrado. Os que anseiam por um espaço maior têm que procurar o seu próprio tipo de felicidade.

Não há melhor nem pior na comparação das duas situações. Há apenas escolhas.
(Juracy Lérco em 08-01-2015)


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