Dia da mulher

Por quê foi preciso um dia específico para se homenagear as mulheres? Ou os negros, ou os índios, ou a árvore, ou  a bandeira, ou os profissionais das diversas áreas? Até as mães, os pais, os mortos, os namorados receberam um dia do calendário para serem lembrados.

Todos eles ou todas essas coisas não fazem parte do cotidiano? Interagimos com brancos, com negros, com amarelos, com vermelhos, até com petistas (uma nova raça, em estudo) em cada momento da vida, mesmo que não nos demos conta disso. 

Essa parabenização não é para um dia, é um comportamento para todos os dias, e é representada pela gentileza e pelo respeito com que tratamos essas pessoas e esses símbolos.

Há muito tempo, percebi essa necessidade que temos de tudo e de todos, e adotei um comportamento novo. Quero sempre saber o nome das pessoas e tratá-las e respeitá-las como os indivíduos que são. Perguntei à minha carteira o seu nome e, desde então, quando eu recebo a minha correspondência, eu a chamo de Fátima. Não me refiro a ela como "a moça do correio". Perguntei ao rapaz que me auxilia a pagar minhas contas no caixa eletrônico do banco, o seu nome e, desde então, ele é Lucas, não é mais o "mocinho do Bradesco". 

São coisas pequenas, detalhes somente, mas fazem uma grande diferença; tanto nós passamos a existir para essas pessoas, como elas passam a existir para nós.

A impessoalidade ergue barreiras entre as pessoas, por isso tanta solidão, tanto retiro, tanto descrédito no ser humano em geral. Chamamos de "amigos" pessoas com quem nunca falamos, nas redes sociais, e não somos capazes de considerar "amigos", aqueles que nos prestam serviços, que suprem as nossas necessidades e que nos ajudam nas dificuldades.

O médico, a enfermeira, o entregador de pizza, o mecânico, o borracheiro, o eletricista, o gari, o policial de ronda, o guarda noturno, o piloto do avião, o motorista do ônibus, o frentista, a manicure, o balconista da loja, o caixa do super mercado e todos os demais deixaram de ser indivíduos para serem meros prestadores de um serviço, só porque estamos pagando?

Pagamos pelos serviços, às vezes muito, às vezes pouco, mas nunca poderemos pagar com dinheiro a parte pessoal que o profissional acrescenta ao serviço prestado, seja em gentileza, em paciência ou em colaboração e esclarecimento. Estas coisas só podemos pagar com retribuição, com respeito, com elogios e com agradecimento.

E isso acontece o tempo todo, todos os dias. Não é num dia específico. Se tomarmos consciência disso, não precisaremos de nenhuma data vermelha na folhinha para nos lembrarmos.

Enquanto eu espero esse dia chegar, junto-me a todos e desejo a todas as mulheres um feliz dia! Pelo menos, um!

(Juracy Lérco em 08-03-2015)


3 comentários:

  1. A mamãe tem talento demais!!!! Em muito mais coisas que imagina!!! Eu sempre soube, não erro: Você é uma mulher fantástica!!!

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